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Impressões do Fiat Linea em uma visita a concessionária
Impressões do Fiat Linea em uma visita a concessionária

Tempra, Marea, Linea. Os sedans médios que a Fiat já vendeu ou vende tem algo a mais em comum, o fato de que nunca venderam o esperado pela marca italiana. O Tempra teve seu auge na década de 90, era o sonho de muitas pessoas, chegou a ser líder, depois decaiu muito, conviveu com o seu sucessor por um pouco mais de um ano: o Marea, com design que pode ser considerado moderno até hoje, ele chegou agressivo e pronto para derrubar o Vectra, que na época era referencia. Sobreviveu até 2007, sendo que após a sua morte a Fiat ficou sem nenhum sedan médio no mercado até a chegada do Linea.
Ele começou a ser fabricado no Brasil em 2007 com as versões Absolute 1.9 e T-Jet 1.4 Turbo como a mais luxuosa (hoje em dia há mais duas versões: a mais básica LX e abaixo da Absolute a HLX). Com a proposta de bater o Civic e Corolla, ou ao menos, chegar próximo aos dois, o Linea veio com atrativos como o Clube L’único, com vantagens para o comprador como, eventos para os proprietários, sistema leva-e-traz para revisões entre outros.

Ao chegar na concessionária Tempo em Campinas, de longe o Linea se mostrava com uma frente agressiva por conta da grade a la Audi e seu farol grande e elegante, além de cromados por toda dianteira, que chamam a atenção. Porém foi decepcionante vê-lo ao lado do Siena, onde pude notar que o farol do sedan médio é pior que o do compacto por conta do bloco elíptico, um erro da Fiat com o Linea.

Passando para a lateral, o vidro segue um arco uniforme belíssimo, acompanhado por uma moldura cromada. Se não fosse pelas portas e pelo retrovisor, externamente, não daria para dizer que o Linea é o Punto sedan de maneira nenhuma. Maçanetas do tipo alça, como as do Palio e Stilo seriam muito melhores do que as empregadas no Linea. O jogo roda-pneu de todas as versões é conivente com a caixa de roda (um problema para o Chevrolet Agile com suas “rodinhas”), sendo que as rodas das versões HLX, Absolute e T-Jet são grandes e bonitas, mas na LX é inadmissível em um carro desta categoria ter calotas e ainda por cima horríveis.

Já na traseira, que ditou as regras de design dentro da Fiat, as lanternas vermelho amendoadas em forma triangular são elegantes; acompanhada por mais cromados. A tampa do enorme porta-malas é extremamente pesada e não há um lugar para se pegar direito, as mulheres não se darão muito bem com essa abertura, porém uma ressalva, a tampa é aberta por molas a gás, e não por uma alça que invade o espaço para carga.

Interior:
Apesar da maçaneta não ser do tipo alça e a porta não ter aquela vedação típica dos médios (bata a porta de um Civic, Corolla, Pallas ou até do Fit que você entenderá o que eu estou dizendo) vemos que o Linea HLX tem um banco de veludo (no caso do LX é tecido, do Absolute Couro e do T-Jet veludo Bege) realmente muito confortável e cheio de regulagens.

As portas têm ausência de tecido, somente contam com ele onde o braço é apoiado. Poderiam colocar mais um pouco de tecido, em um espaço que parece que foi feito para isso, além disso, o comando dos vidros elétricos (de série nas 4 portas) é um tanto quanto longe e baixo, havendo necessidade de se deslocar do assento para comandá-los. Os mostradores são clássicos, lembram os do Opala, mas são de boa leitura e elegantes. O volante tem boa empunhadura, encaixa as mãos, tem regulagens de altura de profundidade em todas as versões e, a partir da HLX, contam com comandos de som.

O acabamento do Linea está na média, não é ruim, e não beira a perfeição como o C4 Pallas com console emborrachado. O console central é elegante, com acabamento Black Piano, com comandos à mão e cada coisa em seu lugar, saída de ar condicionado, rádio e comandos do ar (digital na Absolute e T-Jet). Todos os Lineas expostos indicavam uma coisa, as vendas com o Cambio Dualogic automatizado são muito maiores que as com o manual, pelo fato de que cada versão exposta (até a LX!) na concessionária estava com o cambio automatizado e com o controle de velocidade; casando bem com o cambio, o descansa braços central (não presente na básica LX) deixa as trocas de marca mais cômodas.

O banco traseiro é amplo, onde comprovei que uma pessoa com 1.83m de altura senta atrás de uma com a mesma estatura tranquilamente, além disso o banco conta com descansa braço com porta-objetos. Um ponto importantíssimo é a presença de encosto de cabeça em forma de virgula, não atrapalhando a ampla visibilidade do Linea e, mais importante ainda, é a presença de cinto de 3 pontos para o passageiro do meio, contando com duas fivelas para formar o cinto.

Geral:
Dentro da concessionária, a atenção é dividida entre a elegância e o porte do Linea, o exótico e diferente 500 e a esportividade do Punto T-Jet, três mundos diferentes. Pedi para a vendedora para ver a versão T-Jet do Linea, não havia no show room, porém ela insistiu para me mostrar o T-Jet de um cliente, preocupação com quem compra e desrespeito com quem comprou.

Concluindo:
O Linea sofre do mesmo problema do Vectra GT, é um excelente carro, sem problemas grandes, quem tem recomenda e adora, porém tem só um problema, a concorrência mais moderna e aperfeiçoada. Falta a Fiat melhorar pequenos pontos, porém se o Linea está na sua intenção de compra, não hesite em adquiri-lo, de preferência a racional versão HLX.

Imponente e elegante, ele vai satisfazer o seu desejo, é uma pena que faça parte do grupo dos injustiçados com membros como Mégane, Sentra, Focus Sedan, C4 Pallas; carros com qualidades excepcionais e que competem de igual para igual com os reis dos sedans médios (Civic e Corolla), porém vendem aquém do esperado e merecido.



Texto de João Vitor Brigato – http://www.brigatodesign.blogspot.com
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